Nos últimos anos, o mundo entrou silenciosamente em um dos conflitos mais complexos, estratégicos e transformadores da história moderna: as guerras da Inteligência Artificial. Não são guerras travadas com tanques, aviões ou soldados, mas com algoritmos, supercomputadores, dados e poder computacional. Há quem diga que esta disputa é tão impactante quanto a corrida espacial nos anos 60 — outros afirmam que é ainda maior, porque envolve todos os setores da sociedade ao mesmo tempo. A verdade é que já estamos vivendo uma revolução sem precedentes. Países, empresas e grupos de poder disputam a liderança de tecnologias que podem decidir o futuro da economia, da segurança global, da inovação e até do modo como entendemos a própria humanidade. Este artigo aprofunda o cenário global das guerras da IA: quem está no comando, quem está ficando para trás, o que está em jogo e quais são os impactos deste conflito tecnológico que está remodelando o planeta. 1. A Nova Corrida Armamentista: IA como Poder Estratégico Se na Guerra Fria a disputa era por arsenais nucleares, hoje o foco se concentra em algoritmos inteligentes capazes de prever comportamentos, automatizar exércitos, manipular opiniões e até decidir cenários de guerra em tempo real. A Inteligência Artificial tornou-se um ativo militar essencial, com três frentes principais: 1.1. Armas autônomas Drones que tomam decisões de ataque sozinhos, sistemas de defesa automatizados, mísseis guiados por IA e robôs militares são apenas o começo. A capacidade de identificar, rastrear e neutralizar alvos em milissegundos está mudando completamente as regras do jogo. 1.2. Guerra cibernética ampliada pela IA Ataques de hackers são cada vez mais inteligentes, rápidos e difíceis de detectar. A IA consegue invadir sistemas, ocultar rastros, acelerar ataques e até defender redes de forma proativa. 1.3. Inteligência estratégica Governos utilizam IA para analisar padrões globais, prever crises, monitorar redes sociais e antecipar movimentações de adversários. Dados se tornaram armas — e a IA, a ferramenta suprema para manipulá-los. 2. EUA vs. China: A Maior Disputa Tecnológica da História A principal linha de batalha das guerras da IA está traçada entre Estados Unidos e China. 2.1. Estados Unidos: o berço das grandes IAs Empresas americanas como OpenAI, Google, Meta, Nvidia e Microsoft dominam o cenário global. O poder computacional, a inovação acadêmica e o gigantesco ecossistema de startups dão ao país quase todas as vantagens competitivas. O governo americano reconhece isso como questão de segurança nacional. Programas de incentivo, restrições de exportação e acordos internacionais buscam manter a liderança. 2.2. China: a superpotência dos dados Com mais de 1 bilhão de pessoas conectadas e um dos sistemas mais avançados de vigilância digital, a China é o país com maior volume de dados do mundo — o combustível da IA. Empresas como Tencent, Baidu e Alibaba estão crescendo rapidamente, e o governo chinês possui um plano ambicioso para dominar totalmente a área até 2030. 2.3. O conflito invisível Enquanto os EUA tentam limitar o acesso da China a chips e equipamentos, a China acelera seus próprios superprocessadores e constrói alternativas para reduzir dependência externa. As duas potências travam uma guerra silenciosa, mas profunda, por hegemonia tecnológica. 3. Europa, Índia e América Latina: Onde Cada Um se Encaixa? Embora a disputa principal esteja entre EUA e China, o resto do mundo também procura seu espaço. 3.1. Europa: o continente da regulamentação A União Europeia optou por não liderar em inovação, mas em controle. O AI Act é a legislação mais rígida do mundo sobre IA. Para alguns, isso protege os cidadãos. Para outros, atrasa o continente na corrida tecnológica. 3.2. Índia: o gigante emergente A Índia cresce rapidamente como centro de desenvolvimento de IA, atraindo investimentos e formando milhões de profissionais. Com enorme população e vasto mercado interno, o país pode se tornar um jogador-chave até 2035. 3.3. América Latina: consumidora, não produtora A região ainda consome tecnologia de IA, mas produz pouco. Falta infraestrutura, investimento, políticas públicas e formação específica. Contudo, o potencial é gigantesco — especialmente para automação, agronegócio e serviços públicos. 4. A Guerra do Poder Computacional: Chips, Energia e Supercomputadores A IA exige algo que poucos países podem fornecer: chips avançados (como GPUs e TPUs) energia elétrica em larga escala centros de dados gigantescos supercomputadores dedicados 4.1. A escassez global de chips A Nvidia controla cerca de 80% do mercado global de GPUs para IA. Isso dá à empresa um poder imenso e coloca países inteiros na fila de espera. Os EUA tentam impedir que a China compre esses chips — e isso intensifica ainda mais o conflito. 4.2. Quanto mais inteligente a IA, mais energia ela consome Modelos avançados consomem energia equivalente a pequenas cidades. Isso levou a uma corrida mundial por novas fontes: energia nuclear energia solar hidrelétricas resfriamento avançado para data centers 4.3. Quem controla o hardware, controla o futuro Empresas como TSMC (Taiwan) e Samsung (Coreia do Sul) são essenciais para fabricar chips. Por isso, a região da Ásia-Pacífico se tornou um ponto estratégico de atenção geopolítica. 5. As Guerras Econômicas: IA vs. Empregos Enquanto governos disputam poder, empresas disputam mercados — e trabalhadores disputam relevância. A IA já começou a transformar: escritórios, fábricas, escolas, indústrias criativas, comércio, serviços. Estudos estimam que até 40% dos empregos atuais podem ser automatizados ou profundamente mudados pela IA. Ao mesmo tempo, novas profissões surgem — mas em ritmo desigual. Isso cria tensões sociais invisíveis, uma guerra econômica silenciosa, onde empresas buscam competitividade e trabalhadores buscam sobrevivência. 6. A Guerra da Informação: Deepfakes, Manipulação e Controle de Narrativas Talvez a frente mais perigosa das guerras da IA seja a da informação. 6.1. Deepfakes políticos Vídeos falsos de líderes mundiais espalham-se com facilidade e podem influenciar eleições, manipular mercados e gerar caos social. 6.2. Bots inteligentes Exércitos de bots são capazes de criar milhões de postagens realistas, moldando opiniões públicas e amplificando crises. 6.3. IA como arma psicológica Países utilizam IA para prever comportamentos da população e influenciar decisões coletivas. Essa manipulação sutil é muitas vezes imperceptível — e por isso extremamente perigosa. 7. A Última Guerra:
Cattani dispara contra regularização do Contorno Leste e compara ocupantes a “escudo humano”; decisão de Abilio e apoio de Fávaro ampliam debate em MT
A fala do deputado estadual Gilberto Cattani (PL) se tornou o principal ponto de tensão após o anúncio do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), de que irá iniciar a desapropriação da área do Contorno Leste para regularização fundiária. Em uma reação dura, Cattani comparou os ocupantes da região a “escudos humanos”, associando o caso a práticas do MST e do grupo Hamas — declaração que provocou forte repercussão política e social no estado. A medida anunciada por Abilio foi protocolada após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que garantiu a permanência temporária das famílias na área, impedindo uma desocupação em massa prevista há dois meses. O prefeito informou que protocolará nesta segunda-feira (1º) o pedido formal de desapropriação para iniciar a regularização. Cattani critica Abilio e liga ocupantes a práticas de grupos extremistas Nas redes sociais, Cattani adotou o tom mais incisivo entre os críticos. Ele afirmou que movimentos de invasão utilizam crianças, mulheres e idosos como proteção e classificou a decisão de Abilio como um “prêmio” a práticas criminosas. O parlamentar também resgatou o assassinato de João Pinto, proprietário da área, ocorrido há alguns meses, reforçando que a família estaria sendo prejudicada. “Todo grupo terrorista tem um escudo humano. O MST, o Hamas. Eles invadem propriedade, praticam terrorismo e colocam os mais vulneráveis na linha de frente. Agora querem regularizar para que passem o Natal tranquilos.” “Eu fico pensando na família do João Pinto, assassinado a sangue frio dentro da sua propriedade. Os herdeiros estão sendo usurpados. Deus jamais vai apoiar injustiça. A injustiça é a invasão covarde da propriedade privada.”— Gilberto Cattani, deputado estadual A fala virou o centro do debate e dividiu opiniões entre apoiadores e críticos do parlamentar. Para aliados, Cattani defende a legalidade e o direito à propriedade. Já para opositores, o discurso intensifica o clima de polarização e ignora a situação de vulnerabilidade das famílias. Fávaro elogia iniciativa e promete recursos federais Em posição oposta, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), manifestou apoio à decisão de Abilio e destacou que a solução deve equilibrar a indenização dos proprietários e a permanência das famílias. “Tem que garantir segurança jurídica aos donos das terras, mas também é muito difícil remover tantas pessoas que não têm para onde ir. O equilíbrio é regularizar e indenizar.” Fávaro ainda afirmou que destinará emendas parlamentares para ajudar no pagamento da desapropriação e na estruturação da regularização fundiária. Abilio reforça caráter humanitário da decisão Durante reunião com moradores no domingo (30), Abilio justificou que a medida foi tomada por responsabilidade social e destacou os casos de vulnerabilidade encontrados na área. “Por mais que o mais correto fosse devolver a terra aos proprietários, não podemos ignorar que essas famílias não têm para onde ir. Vamos separar o joio do trigo. A maioria é carente e precisa de paz para passar o fim de ano.” O prefeito informou que enviará um projeto de lei para viabilizar a desapropriação e que ainda não recebeu nenhuma emenda parlamentar para custear o processo. Famílias relatam vulnerabilidade extrema Lideranças dos bairros Jardim Esperança 1 e 2 relataram situações graves durante a reunião: crianças com microcefalia e autismo; idosos sem atendimento regular; famílias que perderam renda; relatos de morte recente por falta de assistência; pessoas que investiram economias em moradias improvisadas. A Prefeitura ainda não divulgou o cronograma oficial da regularização após a desapropriação. Veja o Vídeo do Cattani: https://www.instagram.com/reel/DRshtdjEoVS/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
Cuiabá anuncia plano para regularizar área ocupada por famílias no Contorno Leste após diálogo com comunidade e autoridades
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), anunciou que o município irá avançar com a regularização fundiária da área ocupada por famílias no Contorno Leste, região que há meses vem sendo alvo de disputas judiciais e debates públicos devido ao processo de desapropriação. A decisão foi construída após uma série de articulações envolvendo moradores, autoridades do Judiciário e integrantes do Ministério Público de Mato Grosso. O anúncio ocorreu no sábado (30), durante reunião com a secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Hélida Vilela, e com a secretária de Habitação e Regularização Fundiária, Michelle Dreher, que ficará responsável por conduzir a parte técnica e jurídica da regularização. Decisão nasce de articulação intensa com Judiciário, MP e proprietários Segundo o prefeito, a medida é resultado de uma construção coletiva. Ao longo da semana, Brunini dialogou com a família proprietária do local, com o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso José Luiz Leite Lindote, a juíza Adriana, e os promotores Marisa Fernanda e Carlos Eduardo. O prefeito destacou que também discutiu profundamente a situação com sua equipe interna e com a primeira-dama. “Vamos regularizar o Contorno Leste onde essas famílias estão. Não queremos que passem o fim de ano com medo de onde vão viver com seus filhos. A Prefeitura vai desapropriar a área e fazer a regularização”, afirmou Abilio Brunini. O prefeito também esclareceu que, até o momento, nenhuma emenda parlamentar ou recurso externo foi destinado ao processo, mas destacou que o município está aberto para quem quiser contribuir. “Aqueles que quiserem ajudar, está aberta a oportunidade”, disse. Caso de violência que marcou a comunidade reforçou urgência da ação Brunini ainda mencionou o assassinato de João Pinto, morador que foi morto dentro da área, o que aumentou a sensação de insegurança e fragilidade das famílias.“Ele deixou uma memória de dor e sofrimento, mas vamos honrá-lo de outras formas, garantindo dignidade às famílias que ali vivem”, afirmou. Primeira-dama destaca vulnerabilidade social e necessidade de proteção A primeira-dama Samantha Iris enfatizou que a região abriga crianças, idosos, mães solo e pessoas com deficiência, incluindo diversas crianças autistas.“Essas famílias precisam de dignidade e segurança. Vamos ajudar todas elas, independentemente de nacionalidade, origem ou história”, declarou. Ministro Carlos Fávaro reage ao anúncio e se coloca à disposição para ajudar Poucas horas após o pronunciamento do prefeito, o tema ganhou ainda mais força quando o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, se manifestou nas redes sociais. Ao lado de sua filha, Rafaela Fávaro, que é pré-candidata a deputada estadual, o ministro afirmou estar aberto ao diálogo e disposto a colaborar com a Prefeitura de Cuiabá. Fávaro destacou que possui emendas disponíveis enquanto senador, recursos que não foram utilizados, e que pode direcioná-los para ações que auxiliem na regularização do Contorno Leste, seja na desapropriação, infraestrutura ou programas sociais. “Estou aberto à conversa e a usar os recursos que tenho como senador para ajudar Cuiabá a resolver essa situação. O importante é garantir uma solução definitiva para as famílias”, declarou o ministro. A manifestação foi interpretada como um gesto de conciliação e apoio institucional, ampliando a rede de forças políticas dispostas a construir uma saída para o impasse. A presença de Rafaela Fávaro reforça sua aproximação com pautas sociais da capital, movimento que fortalece sua pré-candidatura. Regularização do Contorno Leste agora avança com apoio político mais amplo Com o anúncio da Prefeitura e a sinalização de apoio do ministro, o processo de regularização ganha novo fôlego. O desafio agora é técnico e jurídico: avançar na desapropriação, garantir a estruturação da área e assegurar que as famílias do Contorno Leste tenham condições dignas, legais e seguras para permanecer no local. A expectativa é que a Prefeitura apresente nos próximos dias o cronograma inicial do processo, que deve incluir levantamento cadastral, estudos topográficos, avaliação do terreno e definição de etapas para urbanização.
PIX bate recorde histórico e registra 297,4 milhões de transações em um único dia no Brasil
O PIX voltou a surpreender e alcançou um novo recorde nacional, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (1º).Na última sexta-feira (28), dia de Black Friday e também data-limite para pagamento da primeira parcela do 13º salário, o sistema de pagamentos instantâneos registrou 297,4 milhões de operações — o maior volume já contabilizado desde sua criação. Ao todo, as transações movimentaram R$ 166,2 bilhões em apenas 24 horas. O número supera o recorde anterior, registrado em 5 de setembro, quando o PIX havia alcançado 290 milhões de operações. Segundo o Banco Central, o desempenho reforça o papel da ferramenta como uma infraestrutura “essencial para o funcionamento da economia”. Por que o recorde aconteceu na sexta-feira (28)? A combinação de três fatores impulsionou o movimento histórico: 📌 Black Friday, com milhões de consumidores fazendo compras on-line e presenciais 📌 Pagamento da primeira parcela do 13º salário, que aumentou o dinheiro em circulação 📌 Crescimento contínuo da adoção do PIX pelo comércio e por prestadores de serviço O resultado foi um dia de transações intensas, especialmente entre consumidores e lojas que passaram a adotar o PIX como forma principal de pagamento devido à rapidez e à ausência de taxas. PIX completa 5 anos e já ultrapassa 85 trilhões movimentados Desde o lançamento, em novembro de 2020, o PIX se tornou parte da rotina financeira do país: 🔹 890 milhões de chaves cadastradas 🔹 170 milhões de brasileiros usando a ferramenta 🔹 R$ 85,5 trilhões movimentados entre novembro de 2020 e setembro de 2025 O sistema também estimulou concorrência entre bancos, aumentou a inclusão financeira e reduziu o custo de transações para consumidores e empresas. Novas regras reforçam segurança e ampliam devoluções por fraude Em novembro, entraram em vigor mudanças que tornam o PIX mais seguro: ✔ Devolução ampliada Agora, os bancos podem devolver valores mesmo se o dinheiro já tiver sido transferido para outras contas — um avanço importante para vítimas de golpe, já que criminosos costumam repassar valores rapidamente. ✔ Rastreamento mais eficiente O Mecanismo Especial de Devolução (MED) passa a atuar em toda a cadeia de transferências suspeitas, facilitando o bloqueio de valores. ✔ Regras obrigatórias em 2026 A partir de fevereiro de 2026, a adesão ao MED será obrigatória para todas as instituições financeiras. PIX se torna referência global O Brasil é hoje um dos países com maior volume de pagamentos instantâneos no mundo. O modelo do PIX vem sendo estudado por diversos governos e bancos centrais por causa de: rapidez baixa taxa de fraude custo zero para pessoas físicas facilidade de integração com comércio e serviços O Banco Central avalia que o uso deve continuar crescendo com a expansão do PIX Automático e outros serviços planejados para 2026.
Facções avançam em áreas de garimpo ilegal e ampliam atuação em Mato Grosso, aponta estudo nacional
Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revela um cenário preocupante em Mato Grosso: 65,2% dos municípios do estado convivem hoje com a presença direta ou indireta de facções criminosas. Das 142 cidades mato-grossenses, 92 registram atividade organizada, muitas delas em áreas de difícil acesso, regiões de fronteira e zonas marcadas pelo garimpo ilegal. O dado faz parte do relatório “Cartografias da Violência na Amazônia”, que mostra como o crime organizado deixou de se concentrar apenas em grandes centros urbanos e passou a ocupar territórios estratégicos no interior do país — especialmente a Amazônia Legal. Domínio do Comando Vermelho e disputa em regiões-chave Em Mato Grosso, o Comando Vermelho (CV) é a facção com maior capilaridade: Presente em 85 dos 92 municípios mapeados, Atua de forma exclusiva em 71 cidades, E mantém disputa territorial em outras localidades. Além do CV, também foram identificadas atividades do PCC, Tropa do Castelar e Bonde dos 40 (B40), ainda que com menor alcance. A distribuição dessas organizações é fortemente influenciada pela localização geográfica do estado, suas rotas logísticas e a proximidade com a Bolívia — um dos principais produtores de cocaína do mundo. Garimpo ilegal se torna motor de expansão criminosa O estudo mostra que, nos últimos anos, as facções têm intensificado sua presença em áreas de garimpo ilegal, transformando esses territórios em novas bases de operação. O interesse é estratégico: o garimpo oferece dinheiro rápido, movimentação constante de trabalhadores, pouca fiscalização e ambiente propício para lavagem de recursos do tráfico. Em regiões como Alta Floresta e na Terra Indígena Sararé, denúncias e documentos revelam que o Comando Vermelho passou de “guardião” contratado pelos garimpeiros a gestor direto da exploração ilegal de ouro. Como as facções atuam no garimpo: Cobrança de “taxas” ou mensalidades dos garimpeiros em ouro Controle de máquinas, balsas, tratores e insumos Gerenciamento da logística de combustíveis e transporte Regulação violenta do território, impondo regras e punições Ameaças e ataques armados a equipes de fiscalização Em mensagens obtidas pela Agência Brasil, o CV chegou a se apresentar formalmente como a organização “responsável” por atividades ilegais no estado. Terra Indígena Sararé: conflito armado e avanço da violência A TI Sararé, entre Conquista D’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade, é hoje um dos epicentros do conflito entre garimpeiros, facções e forças de fiscalização. Nos últimos anos, a área se transformou em um ambiente de disputa: Entre garimpeiros armados, que passaram a formar milícias para se proteger; E o Comando Vermelho, que tenta consolidar o monopólio da extração ilegal. Esse cenário elevou drasticamente os índices de violência. Mortes na região da TI Sararé: 2022: 13 homicídios 2023: 24 homicídios 2024: 46 homicídios Vila Bela, que compõe o território, passou a ter a maior taxa de mortes violentas entre municípios com até 20 mil habitantes. Fronteira com a Bolívia aumenta risco e facilita infiltração A proximidade da região oeste de Mato Grosso com a Bolívia — país que serve como corredor internacional de cocaína — reforça a presença das facções. Vila Bela da Santíssima Trindade, por exemplo, é uma das principais rotas usadas por organizações criminosas para entrada de drogas no Brasil. Essa característica, somada ao garimpo ilegal e à ausência histórica de fiscalização efetiva, produz um ambiente fértil para a disputa territorial e consolidação de redes criminosas. Organizações atuam como “empresa criminosa” Pesquisadores que analisam o avanço das facções na Amazônia destacam que o modelo de atuação se profissionalizou. Hoje, as facções operam com: estrutura empresarial, controle administrativo dos garimpos, investimentos pesados em logística, aquisição de máquinas de grande porte, disseminação de regras internas, ameaças e imposição de multas criminais. Em algumas áreas, operações federais registraram ataques de fuzil contra agentes públicos — evidência de que a criminalidade se consolidou com armamento pesado e organização sofisticada. Capilaridade crescente e risco para municípios pequenos Embora grandes cidades como Cuiabá e Várzea Grande também convivam com facções, o crescimento mais acelerado ocorre em municípios pequenos, muitas vezes com menos de 20 mil habitantes — onde estruturas de segurança pública são limitadas. O relatório aponta que a violência desses locais não decorre de conflitos urbanos, mas da combinação explosiva entre: fronteira internacional, garimpo ilegal, tráfico de drogas, ausência de fiscalização, e disputa entre grupos criminosos.
Obra do Sistema BRT terá interdições parciais na próxima semana
Para a continuidade das obras de implantação do Sistema BRT em Cuiabá e Várzea Grande, algumas interdições parciais estão previstas para a próxima semana. Os bloqueios ocorrerão de forma pontual, com estreitamento de pista em diferentes trechos. Na Avenida do CPA, continuará o afunilamento em frente ao Shopping Pantanal, onde são executadas escavações para implantação do novo sistema de drenagem. Por esse motivo, a faixa da direita permanece interditada. Também deve ter início, nos próximos dias, a interdição do cruzamento com a Avenida Hélio Ribeiro (rua da Amaggi). Um desvio provisório será instalado exatamente ao lado da pista atual, exigindo uma pequena mudança de trajeto dos motoristas para seguir o caminho habitual. O Consórcio Integra BRT trabalha ainda na execução de uma nova alça de contorno em frente à Avenida Juliano Costa Marques, que funcionará como mais uma opção de retorno na Avenida do CPA. A concretagem do cruzamento com a Hélio Ribeiro só será iniciada após a conclusão dessa alça. Também estão programados para esta semana serviços de instalação de rede elétrica, etapa necessária para o avanço das frentes de trabalho de iluminação pública do corredor do BRT. No trecho entre o CREA e a Rua Voluntários da Pátria, está prevista para o dia 7 de dezembro (domingo) a interdição do cruzamento com a Avenida Mato Grosso. A interrupção será feita para serviços no pavimento e deve durar apenas um dia. Entre a Rua Voluntários da Pátria e a Praça Ipiranga, continuam as ações de recuperação do asfalto. Já entre a Praça Ipiranga e o Ginásio do Colégio São Gonçalo, serão instaladas geogrelhas, que reforçam a estrutura do solo. No trecho próximo ao Shopping Popular, seguem os trabalhos de implantação da drenagem, executada por método não destrutivo. Na Avenida XV de Novembro, terá início a aplicação da capa asfáltica definitiva. Complexo Leblon As obras do Complexo Leblon avançam com a perfuração e instalação de tirantes, execução da rede de drenagem e construção dos muros de contenção da trincheira. Em frente ao Todimo Lar Center, seguem os serviços de demolição do antigo viaduto, perfuração de estacas, execução de aterros e estruturas de contenção.
PM prende homem e apreende espingardas e 40 quilos de carnes de caça e pescado ilegal
A Polícia Militar de Mato Grosso prendeu um homem, de 62 anos, por porte ilegal de arma, caça ilegal de animais silvestres e armazenamento de pescado irregular, neste sábado (29.11), na zona rural de Tesouro. Na ação, a PM apreendeu cinco espingardas, munições, 23 quilos de carne de caça e 17 quilos de pescado. A PM recebeu denúncia anônima sobre um homem que estaria praticando caça de animais silvestres e pesca ilegal para fins de comercialização. Segundo a denúncia, o suspeito estaria guardando o material em sua residência. Os policiais foram até o endereço informado e localizaram o homem. Questionado sobre a denúncia, o suspeito negou os fatos, mas autorizou que os militares fizessem buscas na casa. No freezer da residência, foram localizados os 17 quilos de pescado das espécies Matrinxã, Mandi e Barbado, além de duas sacolas contendo 23 quilos de carne de Cateto proveniente de caça. Ao ser perguntado se havia mais materiais ilícitos na casa, o homem afirmou que possuía uma arma de fogo, que seria de seu pai, que não estava no local. Os policiais foram ao cômodo indicado pelo suspeito e encontraram, ao todo, cinco espingardas e cerca de 200 munições de diversos calibres. Diante da situação de flagrante, o homem recebeu voz de prisão e foi conduzido até a delegacia mais próxima para registro da ocorrência e demais providências. O pescado apreendido apresentava condições para consumo e foi doado para o instituto Santa Terezinha. Disque-denúncia A sociedade pode contribuir com as ações da Polícia Militar de qualquer cidade do Estado, sem precisar se identificar, por meio do 190 ou 0800.065.3939.
Expansão imobiliária e revisão do IPTU preocupam moradores de Cuiabá; bairros valorizados devem ter maiores reajustes
A revisão da Planta Genérica de Valores (PGV), que serve de base para o cálculo do IPTU e ITBI, deve provocar os maiores reajustes justamente nas regiões que mais cresceram e se valorizaram em Cuiabá nos últimos anos. Entre as áreas mais afetadas estão bairros como Pedra 90, Grande Imperial, Universitário, Recanto dos Pássaros e setores onde surgiram novos centros comerciais. A atualização começará a valer em 2026 e ocorre após determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). A capital não revisava o valor venal dos imóveis desde 2010, o que gerou uma defasagem de 15 anos. Bairros se tornaram polos independentes — e isso impacta no valor venal O estudo técnico do município aponta que o processo de descentralização urbana é um dos fatores que mais elevaram o valor dos imóveis. Nos últimos anos, diversos bairros deixaram de depender do Centro e ganharam vida própria com o surgimento de mercados, clínicas, atacarejos, lojas, farmácias e serviços variados. Essa presença intensa de comércio e o aumento da procura por residências próximas a esses polos elevaram o valor de mercado e, consequentemente, o valor venal. Com isso, a previsão é de que: Condomínios fechados e bairros nobres: reajuste de até 40% Bairros de classe média: até 30% Bairros populares: até 20% Segundo técnicos que acompanham a revisão, o novo cálculo não é um aumento generalizado, mas uma correção da disparidade entre o valor cadastral e o preço real dos imóveis no mercado. Grande Imperial simboliza a transformação urbana Para entender essa valorização, a reportagem percorreu a região do Grande Imperial — conjunto de bairros que inclui Jardim Imperial, Jardim Universitário e Recanto dos Pássaros — e constatou como a área deixou de ser isolada para se tornar um dos polos residenciais mais desejados de Cuiabá. A Avenida das Palmeiras, antes quase exclusivamente residencial, se transformou em um corredor comercial: lojas de diversos segmentos mini-mercados e distribuidoras clínicas e serviços academias bares e espaços gastronômicos A moradora e síndica Eslaine Hurtado testemunhou essa evolução: “Antes era tudo muito vazio. Hoje, resolvo praticamente toda a minha vida dentro do bairro. Se no Centro levo uma hora, aqui faço tudo em cinco minutos”, relatou. Essa transformação também impactou diretamente o mercado imobiliário. No Condomínio Rio Jangada, casas entregues pelo Minha Casa, Minha Vida por R$ 85 mil a R$ 140 mil hoje passam de R$ 600 mil. Condomínios horizontais devem ser os mais impactados Imóveis em condomínios fechados figuram entre os que devem ter as maiores correções, já que muitos deles pagam IPTU muito abaixo do valor real de mercado. Segundo técnicos envolvidos no estudo, em algumas áreas o valor venal está tão defasado que imóveis de luxo são tributados como se valessem menos da metade do preço atual. Apesar disso, especialistas alertam para a necessidade de um cálculo diferenciado, que considere: padrões construtivos infraestrutura interna áreas de preservação equipamentos privados de segurança real valorização das unidades A preocupação é evitar que o reajuste penalize famílias que, muitas vezes, buscaram condomínios por falta de segurança pública ou de infraestrutura nos bairros abertos. Moradores temem impacto e cobram contrapartidas Apesar de aceitarem a necessidade de atualização do IPTU, moradores esperam melhorias visíveis em troca do aumento. Eslaine destaca essa preocupação: “Não somos contra o reajuste, mas queremos ver retorno. As casas que estão como foram entregues vão pagar o mesmo aumento de áreas que tiveram melhorias? Como isso será calculado?”, questionou. Para muitos moradores, especialmente de condomínios, a expectativa é de mais: pavimentação eficiente limpeza urbana segurança iluminação revitalização de espaços públicos Prefeitura promete processo gradual e sem aumentos abusivos A gestão municipal reforça que: o reajuste é uma obrigação prevista em norma técnica o processo seguirá limites estabelecidos pelo TCE-MT não haverá aumento acima do permitido famílias de baixa renda serão protegidas por regras de isenção o cálculo não será político, e sim técnico Segundo o Executivo, a revisão corrige uma defasagem histórica e busca equilibrar a carga tributária. Outras regiões também devem ser afetadas A Prefeitura ainda não divulgou a lista completa de bairros e o impacto específico em cada área. A comissão que realiza o estudo — formada por técnicos municipais e representantes de setores ligados à construção e ao mercado imobiliário — deve concluir o trabalho no início de dezembro. Somente após essa conclusão os novos valores serão apresentados oficialmente.
Max Russi destaca trabalho à frente do PSB e diz não ter sido comunicado sobre retorno de Pedro Taques ao comando da sigla
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (PSB), afirmou nesta sexta-feira (28) que ainda não foi comunicado oficialmente sobre a chegada do ex-governador Pedro Taques para assumir a presidência estadual do PSB. A confirmação do próprio Taques, que disse ter recebido aval da cúpula nacional da legenda, repercutiu no meio político e reacendeu discussões sobre a reorganização partidária rumo às eleições de 2026. Russi, que recebeu autorização para se filiar ao Podemos a partir de março do próximo ano, continua sendo uma das principais lideranças do PSB em Mato Grosso e responsável pela estrutura atual que o partido alcançou no Estado. Mesmo em processo de saída, ele ainda é reconhecido como o articulador que consolidou o PSB no cenário político mato-grossense — trabalho que o próprio Taques fez questão de ressaltar. “Eu ainda não fui comunicado oficialmente”, diz Russi Em entrevista, Max Russi explicou que não recebeu qualquer notificação formal sobre a chegada de Pedro Taques ao comando da sigla, mas afirmou que o movimento já era esperado pela direção nacional. “Desde que comuniquei que sairia do partido, a direção nacional estava procurando alguém para comandar e estruturar a chapa de deputados federais e estaduais. Como ninguém se propôs, o vereador Ilde Taques se colocou à disposição e assumiu a presidência. Mas sabíamos que isso poderia acontecer”, afirmou o parlamentar. A fala reforça que, mesmo com a futura mudança partidária, Russi segue como referência para o PSB e para as lideranças nacionais, que buscam reorganizar a legenda em Mato Grosso. Taques chega com aval de Alckmin e Campos — e reconhece força de Russi Pedro Taques retorna ao PSB com apoio direto do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB-SP), e do prefeito de Recife, João Campos (PSB-PE). Ele deve assumir o comando estadual com a missão de montar uma chapa competitiva para 2026, especialmente para sua própria candidatura ao Senado. O ex-governador fez questão de destacar a importância de Russi para a sigla: “O Max Russi é um grande político e fez do PSB um partido importante em Mato Grosso. Então, nós vamos conversar”, declarou Taques. A sinalização reforça que qualquer rearranjo dentro do partido só avançará com diálogo direto com o atual presidente da ALMT. Histórico de alianças e divergências Max Russi e Pedro Taques já estiveram no mesmo campo político. Entre 2015 e 2018, Russi foi secretário de Assistência Social na gestão Taques e implantou o programa Pró-Família, que depois se tornou Ser Família no governo Mauro Mendes. Em 2018, quando Mauro deixou o PSB e se filiou ao DEM para disputar o governo, Russi permaneceu no partido. Taques foi derrotado, e desde então cada um seguiu caminhos distintos. Agora, em 2026, Taques mira novamente o Senado e tenta reconstruir sua base partidária, enquanto Russi se prepara para integrar o Podemos e fortalecer o grupo político comandado por Max e lideranças aliadas. Taques fala em “coragem” no Senado; Russi segue fortalecendo base Ao anunciar sua intenção de disputar o Senado novamente, Taques afirmou: “Quero ser senador da República e não senador de presidente. Quero atuar com a mesma coragem que tive quando enfrentei o crime organizado.” Enquanto Taques reorganiza seu retorno, Max Russi segue fortalecendo a base política da ALMT, construindo alianças e mantendo protagonismo no debate estadual — evidência de que sua influência continuará determinante no xadrez de 2026, independentemente da legenda que venha a integrar.
Dois homens morrem em acidente grave na MT-060, em Poconé; vítimas ficaram presas às ferragens
Dois homens morreram em um grave acidente registrado na tarde desta sexta-feira (28) na MT-060, região de Poconé (104 km de Cuiabá). A colisão envolveu um veículo de passeio e uma caminhonete Ford F-350 e deixou o trânsito fluindo apenas por uma das pistas, causando congestionamento ao longo do trecho. O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado e enviou três equipes para atender a ocorrência. Quando os militares chegaram ao local, encontraram os dois ocupantes do carro presos às ferragens e já sem sinais vitais. Após o desencarceramento, os corpos ficaram sob responsabilidade da Polícia Militar e dos peritos da Politec, que realizarão a análise técnica da cena. Leia também – Homem fica ferido em acidente entre carro e moto O motorista da F-350, único ocupante do veículo, não sofreu ferimentos graves, mas passou mal após a colisão e precisou ser encaminhado para atendimento médico. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestou apoio à ocorrência. As causas do acidente ainda serão investigadas. A Polícia Civil deve abrir procedimento para apurar as circunstâncias da batida.