Proposta já foi aprovada na Câmara e agora será analisada pelo Senado. Texto prevê blindagem total a parlamentares e retorno do voto secreto. Dois dos três senadores de Mato Grosso declararam que votarão contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, que amplia o foro privilegiado de deputados e senadores, dificulta investigações criminais contra parlamentares e ainda resgata a votação secreta para casos polêmicos. A medida, aprovada pela Câmara dos Deputados por 344 votos a favor e 133 contra, agora segue para apreciação no Senado. O que muda com a PEC Na prática, a proposta prevê que qualquer parlamentar só poderá ser preso com autorização do Congresso Nacional — mesmo em casos de flagrante por crimes como homicídio, pedofilia ou violência doméstica.Além disso, amplia o foro privilegiado para presidentes de partidos políticos e institui novamente a votação secreta, eliminando a transparência em decisões delicadas. Senadores de MT contra a proposta O senador Jayme Campos (União Brasil) foi categórico ao classificar a PEC como um retrocesso: “Sou totalmente contra essa PEC. Isso vai sucumbir a nossa Justiça. Uma vergonha para o país. Como você vai proteger quem comete crime, seja ele hediondo ou contra a administração pública. Eu vou votar contra essa aberração”, disse. Segundo ele, a medida cria uma “casta política” no país e não atende ao desejo da sociedade, que cobra responsabilidade e igualdade perante a lei. A senadora Margareth Buzetti (PP) também se manifestou contra a proposta, destacando que ela fragiliza o Parlamento e transmite à população a imagem de que políticos querem se proteger a qualquer custo: “Há crimes que não podem ficar à margem da investigação judicial. Esse tipo de blindagem coloca em dúvida o caráter e a responsabilidade dos representantes eleitos, quando na verdade precisamos dar o exemplo de transparência e compromisso com a justiça.” Buzetti lembrou ainda que regra semelhante vigorou entre 1988 e 2001: dos 250 pedidos de abertura de processos criminais feitos pelo STF, apenas um foi autorizado pela Câmara.“Será que isso é bom para a democracia?”, questionou. Posição indefinida O senador Wellington Fagundes (PL) foi procurado pela reportagem para comentar o tema. Questionado se seguirá a orientação do PL — que na Câmara votou favoravelmente à PEC — ele não respondeu até o fechamento desta edição. Bancada de MT na Câmara Na votação em primeiro turno na Câmara Federal, seis dos oito deputados federais de Mato Grosso apoiaram a proposta: Coronel Fernanda (PL) José Medeiros (PL) Nelson Barbudo (PL) Rodrigo da Zaeli (PL) Gisela Simona (União) Coronel Assis (União) Os únicos contrários foram os deputados do MDB, Emanuelzinho e Juarez Costa.
Como a mudança climática ameaça fazer um país desaparecer
Tuvalu, no Pacífico Sul, pode ser engolido pelo mar nas próximas décadas, tornando-se um dos primeiros países do mundo a desaparecer por causa da crise climática. Um conjunto de ilhas paradisíacas no meio do Oceano Pacífico corre risco de sumir do mapa. Tuvalu, pequeno território no sul da Oceania, com cerca de 11 mil habitantes, pode ser engolido pelo aumento do nível do mar em poucas décadas. Em agosto de 2024, a ONU alertou que, em partes do Pacífico, o mar subiu 15 centímetros em 30 anos — quase o dobro da média global. Além de Tuvalu, outras nações insulares como Maldivas, Ilhas Marshall, Nauru e Kiribati também estão ameaçadas. O paradoxo climático Apesar de possuir vastas áreas de natureza preservada e poucas indústrias, Tuvalu responde por apenas 0,02% das emissões globais de CO2. Ainda assim, sofre diretamente os efeitos provocados pelas emissões dos grandes poluidores mundiais. Mas como as emissões de carbono impactam os oceanos? 🌡️ Aquecimento das águas: os oceanos absorvem 90% do calor extra gerado pelo aquecimento global. Quando a temperatura sobe, o volume da água se expande, representando cerca de 40% do aumento do nível do mar. ❄️ Derretimento das calotas polares: o aquecimento acelera o derretimento das geleiras, que se transformam em água e contribuem para a elevação dos mares. Tuvalu e a luta pela sobrevivência O país vem alertando a comunidade internacional há anos. Em 2009, na COP 15, o representante Ian Fry emocionou o mundo ao pedir que as nações reduzissem suas emissões: “O destino do meu país está nas mãos de vocês”. Em 2021, durante a COP 26, o ministro Simon Kofe gravou um discurso de terno e gravata dentro do mar, com a água na altura dos joelhos, para simbolizar a urgência da situação. Agora, diante da COP 30, o alerta é ainda mais urgente: se medidas concretas não forem tomadas, Tuvalu poderá se tornar a primeira nação a existir apenas no mundo digital. A pergunta que fica Tuvalu não é o responsável pela crise climática, mas está na linha de frente dos seus efeitos. A sobrevivência do país depende de decisões globais e do compromisso real das grandes economias em reduzir emissões, conter o aquecimento e proteger populações vulneráveis. 🌍 O futuro dessas ilhas pode ser também o prenúncio do nosso próprio destino.
Incentivo Verde: Janaina Riva propõe isenção de IPVA para elétricos e desconto para híbridos em MT
Proposta busca incentivar mobilidade sustentável, reduzir poluentes e alinhar o Estado às políticas de descarbonização em vigor no Brasil. A deputada estadual Janaina Riva (MDB) apresentou, nesta quarta-feira (17), um projeto de lei inovador que prevê isenção total do IPVA para veículos elétricos e redução de 50% para os híbridos em Mato Grosso. A iniciativa, protocolada em sessão plenária, tem como meta estimular a transição para uma frota menos poluente, promover a modernização da mobilidade urbana e fortalecer a agenda ambiental no Estado. O que a proposta prevê O texto estabelece que o benefício fiscal será concedido exclusivamente a veículos adquiridos ou emplacados em Mato Grosso, mediante comprovação de que se tratam de modelos elétricos ou híbridos.A regulamentação caberá ao Poder Executivo, que deverá: Definir critérios técnicos e operacionais; Calcular os impactos financeiros para o Estado; Estabelecer mecanismos de compensação da renúncia fiscal. Argumentos da deputada Na justificativa, Janaina ressaltou que o projeto coloca Mato Grosso em sintonia com políticas já adotadas em outras unidades da federação, como Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. “O objetivo é fomentar o uso de veículos ambientalmente sustentáveis, como incentivo à mobilidade limpa, ao desenvolvimento tecnológico e à preservação ambiental. Essa é uma tendência nacional e Mato Grosso não pode ficar para trás”, declarou. Segundo a deputada, os benefícios da proposta vão além da redução da emissão de gases de efeito estufa. Ela lembrou que os veículos elétricos e híbridos também contribuem para cidades mais silenciosas e modernas, além de incentivarem o desenvolvimento de um mercado tecnológico em expansão. Impactos esperados A medida pode ter reflexos positivos em diferentes áreas: Ambiental: redução significativa da poluição do ar e das emissões de carbono. Econômica: estímulo ao mercado de veículos sustentáveis e fortalecimento da cadeia de fornecedores e concessionárias no Estado. Turismo e imagem: Mato Grosso passa a se posicionar como estado inovador e alinhado às metas globais de sustentabilidade. Social: incentivo à modernização da frota e melhora na qualidade de vida nas cidades, com menos poluição sonora e atmosférica. Próximos passos O projeto seguirá agora para análise nas comissões temáticas da Assembleia Legislativa, onde poderá receber ajustes técnicos, antes de ser submetido à votação em plenário. Se aprovado, Mato Grosso se juntará a um grupo seleto de estados que já implementaram políticas de incentivo à eletromobilidade, reforçando o compromisso com a inovação, sustentabilidade e futuro verde.
Câmara aprova urgência do PL da Anistia; bancada de MT vota majoritariamente a favor
Proposta acelera tramitação de perdão aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro; apenas um deputado de Mato Grosso se posicionou contra. A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (17), o requerimento de urgência do Projeto de Lei 2162/2023, conhecido como PL da Anistia, que concede perdão aos participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. O placar foi de 311 votos favoráveis, 163 contrários e 7 abstenções. Com a aprovação, a proposta poderá ser votada diretamente em plenário a qualquer momento, sem precisar passar pelas comissões da Casa. Bancada de Mato Grosso Entre os oito deputados federais do Estado, sete participaram da votação: A favor: Coronel Assis (União), Coronel Fernanda (PL), Fábio Garcia (União), José Medeiros (PL), Juarez Costa (MDB) e Rodrigo Zaeli (PL). Contra: Emanuelzinho (MDB). O que diz o projeto De autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), o texto concede anistia aos participantes de manifestações políticas ocorridas entre 30 de outubro de 2022 – segundo turno das eleições presidenciais – e a data de entrada em vigor da lei. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro defendem que a anistia seja estendida também a ele, condenado na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de prisão no processo sobre a tentativa de golpe. Contexto dos atos de 8 de janeiro Naquele dia, apoiadores de Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes: Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. O episódio resultou em centenas de prisões e condenações por crimes como golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa e dano qualificado. Próximos passos Com a urgência aprovada, a Câmara deve designar ainda nesta quinta-feira (18) um relator para elaborar um substitutivo capaz de reunir apoio da maioria ampla. O presidente da Câmara, Hugo Motta, ordenou a inclusão do tema após reunião com líderes partidários.
Palmeiras vence River Plate na Argentina e abre vantagem nas quartas da Libertadores
Com gols de Gustavo Gómez e Vitor Roque, Verdão supera ambiente hostil e mostra força em Buenos Aires O Palmeiras deu um passo importante rumo à semifinal da Conmebol Libertadores ao vencer o River Plate por 2 a 1, nesta quarta-feira (17), no estádio Monumental de Núñez, diante de mais de 80 mil torcedores argentinos. Na véspera, o técnico Abel Ferreira já havia dado o tom da postura da equipe: “Eu admiro e respeito muito (Gallardo), mas não temo ninguém. Respeitamos muito todas as equipes, mas não tememos ninguém.” E foi com essa confiança que o Verdão entrou em campo. Escalação ousada e início avassalador Abel inovou ao escalar Andreas Pereira como titular no lugar de Facundo Torres. O camisa 8 não demorou a justificar a escolha: logo aos 5 minutos, cobrou escanteio com perfeição para Gustavo Gómez abrir o placar de cabeça. O Palmeiras dominava as ações e tinha mais de 60% da posse de bola, mesmo em um ambiente considerado intimidador. Andreas, aberto pela direita, se movimentava para o meio e encontrava espaço para articular, aproximando-se de Flaco López e Vitor Roque, dupla ofensiva que vem funcionando bem. Solidez defensiva e segundo gol Com a marcação encaixada, o Verdão neutralizava o River. Felipe Anderson reforçava a recomposição, formando linha de cinco quando necessário, o que dificultava as investidas argentinas. Ainda no primeiro tempo, a estratégia foi coroada: Vitor Roque marcou o segundo gol, premiando uma grande atuação coletiva e ampliando a vantagem para 2 a 0. Pressão final e desconto do River O River Plate tentou reagir na etapa final, aproveitando-se do apoio da torcida e do cansaço palmeirense. O time argentino descontou, mas não conseguiu evitar a vitória brasileira em seus domínios. O resultado mantém o Palmeiras com vantagem para o jogo de volta, em São Paulo. Próximos passos Após a partida, Abel Ferreira valorizou o desempenho, mas alertou: “Foi uma grande vitória, mas ainda faltam 90 minutos.” O Palmeiras agora se prepara para decidir a vaga em casa, podendo até empatar para garantir presença em mais uma semifinal de Libertadores.
Governo realiza obras de melhorias no acesso ao Hospital Central
O Governo de Mato Grosso está realizando obras de melhorias nas ruas do entorno do Hospital Central, em Cuiabá. O objetivo é facilitar o acesso à nova unidade hospitalar e também promover melhorias na mobilidade do Centro Político Administrativo. As obras executadas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) incluem a implantação de uma nova rua, duplicação de alguns trechos, além de recuperação do asfalto de ruas já existentes. No total, o investimento chega a R$ 13,8 milhões. A nova rua que está sendo implantada vai ligar da lateral do prédio do Incra, até a rotatória na rua Desembargador Milton Figueiredo Ferreira Mendes, logo abaixo do Hospital Central. A nova rua já foi asfaltada e as obras seguem para outros serviços, como meios-fios, calçadas e depois sinalização e iluminação. Um dos trechos que será duplicado é a subida da Rua G (rua da Creche Maria Eunice) entre a Rua Desembargador Milton Figueiredo e a entrada do Hospital Central. Essa rua também já teve o seu asfaltado totalmente recuperado. Outro trecho que será duplicado compreende parte da Rua Desembargador Milton Figueiredo, em frente ao Fórum Cível e ao Ministério Público do Estado. Assim como a Rua Dr. Hélio Ponce de Arruda (Acesso ao Inpe), entre o Ministério Público e a Avenida do CPA. O secretário adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano da Sinfra-MT, Isaac Nascimento Filho, explica que o objetivo das obras é garantir uma mobilidade melhor nas ruas do entorno do novo hospital. “Essa é uma das grandes obras realizadas pelo Governo de Mato Grosso, mas o acesso para ele não era dos mais fáceis. Com essas melhorias implementadas pelo Estado, o cidadão que precisar utilizar o hospital vai poder chegar nele com mais tranquilidade”, afirmou. Hospital Central A estrutura do Hospital Central, localizada em Cuiabá, ficou abandonada por 34 anos. Em 2019, o Governo de Mato Grosso apresentou um novo projeto para o hospital, com a ampliação de 9 mil m² para 32 mil m² de área construída. As obras foram retomadas em 2020 e já estão 99% executadas. Com uma infraestrutura de ponta, o Hospital Central conta com 287 leitos e está sendo estruturado para realizar uma média de 32 mil consultas médicas, 80 mil exames e 6.500 cirurgias por ano. O Einstein Hospital Israelita será responsável pela gestão da unidade, que ofertará serviços gratuitos à população e funcionará 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mato Grosso será o quarto estado do Brasil a ter um hospital público gerido pelo Einstein.
Mato Grosso finaliza colheita da 2ª safra de milho com recorde de produção
Mato Grosso encerrou a colheita da segunda safra de milho 2024/25 com um resultado recorde. O estado alcançou 55,1 milhões de toneladas, volume 12,9% superior ao registrado na safra anterior, de 2023/24. Os números são do 12º e último Levantamento da Safra de Grãos do ciclo 2024/25 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e reforçam o protagonismo mato-grossense na produção nacional e internacional do grão. A área plantada também cresceu. No ciclo 2024/25 foram 7,28 milhões de hectares, um aumento de 3,3% em relação à temporada passada. O bom desempenho da safra está relacionado às condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo, especialmente pela boa distribuição das chuvas durante as fases de desenvolvimento das lavouras. A Conab, em seu último levantamento, ressaltou que o desempenho de Mato Grosso advém do equilíbrio entre fatores naturais e técnicas modernas de produção. “O resultado é fruto da combinação das condições climáticas favoráveis, associada às práticas agrícolas avançadas com o uso de sementes de alta qualidade e manejo eficiente no uso de fertilizantes e contenção de pragas. Tal conjuntura culminou no recorde de produtividade e produção, beneficiando não apenas produtores locais como também o abastecimento nacional e global.” A produção mato-grossense corresponde a 49% de todo o milho de segunda safra colhido no Brasil. Em relação a produção total do grão, o estado contribui com cerca de 4% da oferta global, fortalecendo a posição do Brasil como o terceiro maior produtor mundial. De acordo com a secretária adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia, Linacis Silva Vogel Lisboa destacou que os resultados refletem a solidez da cadeia produtiva do milho em Mato Grosso. “Alcançar 55,1 milhões de toneladas demonstra o alto nível tecnológico e de gestão adotado pelos produtores, o que se traduz em ganhos de produtividade e competitividade. Esse desempenho fortalece o setor logístico, amplia as exportações e garante maior circulação de divisas, consolidando Mato Grosso como um dos principais motores da economia nacional e um player relevante no mercado global de grãos”, afirmou. Fonte: SECOM-MT
Ruim com Jaime Campos no grupo, pior sem ele: os dilemas do União Brasil em Mato Grosso
Senador enfrenta isolamento dentro do grupo governista, enquanto nomes como Mauro Mendes, Janaina Riva e Carlos Fávaro ganham força para o Senado. Disputa interna pode fragilizar a base do União Brasil. O cenário político de Mato Grosso para as eleições de 2026 tem como um dos principais pontos de tensão o futuro do senador Jaime Campos (União Brasil). Nome histórico da política estadual, com passagens pelo Governo do Estado, Prefeitura de Várzea Grande e pelo Senado, Jaime hoje enfrenta um paradoxo: sua experiência o credencia a disputar qualquer cargo majoritário, mas dentro do grupo do governador Mauro Mendes parece cada vez mais isolado. De aliado estratégico a figura secundária Em 2018, Jaime foi peça-chave para a vitória da atual composição do União Brasil, quando uniu forças com Mauro Mendes e Carlos Fávaro. À época, vestiu a camisa, pediu votos e ajudou a consolidar o bloco que comanda o Estado até hoje. De lá para cá, entretanto, o trio se distanciou. Mendes se consolidou como principal liderança, Fávaro ganhou projeção nacional ao assumir o Ministério da Agricultura no governo Lula, e Jaime passou a ter menos espaço nas grandes decisões do grupo. Hoje, quando naturalmente poderia ser cogitado como candidato à sucessão de Mendes ou à reeleição no Senado, encontra resistências dentro do próprio partido. O Senado e o risco da divisão de votos As eleições de 2026 terão duas vagas ao Senado. Analistas avaliam que uma delas deve ser ocupada por Janaina Riva (MDB), que vem crescendo nas pesquisas e conquistando espaço político. A outra vaga tende a ser disputada entre Carlos Fávaro, que deve consolidar o eleitorado da esquerda com cerca de 25% dos votos, e nomes da direita e centro-direita. Nesse campo, aparecem Mauro Mendes, José Medeiros, Pedro Taques, Antônio Galvan e o próprio Jaime Campos. O impasse é claro: se Jaime disputar ao Senado, pode dividir votos no campo governista e fragilizar a estratégia do União Brasil. Isso abriria espaço para a esquerda manter uma cadeira e para outra ser conquistada por um nome alternativo da direita, deixando até mesmo Mendes de fora. A alternativa do Governo Outra possibilidade seria Jaime lançar candidatura ao Governo do Estado, o que colocaria em xeque o projeto de Otaviano Pivetta, atual vice-governador e nome escolhido por Mendes como sucessor natural. Nesse cenário, a base governista entraria rachada na disputa pelo Palácio Paiaguás, aumentando as chances da oposição ou de outras forças políticas capitalizarem os votos de um eleitorado dividido. O dilema do grupo A equação é conhecida nos bastidores: “ruim com Jaime no grupo, pior sem ele”. Se o União Brasil não oferecer espaço, corre o risco de vê-lo concorrer por fora, atrapalhando os planos de Mendes e Pivetta. Se tentar acomodá-lo, terá que redesenhar toda a estrutura da majoritária, enfrentando resistências internas. Com uma carreira marcada pela experiência e pelo peso político, Jaime Campos ainda é considerado um fator decisivo no tabuleiro eleitoral de 2026. O desafio para o União Brasil será encontrar um caminho que evite que as divisões internas acabem fortalecendo adversários e comprometendo o projeto de continuidade no Estado. A disputa de 2026 não será apenas entre partidos e candidatos, mas também dentro do próprio grupo que governa Mato Grosso. Jaime Campos pode ser tanto o trunfo quanto o problema para o União Brasil. O rumo da sua decisão – se ao Senado, ao Governo ou se ficará de fora – terá impacto direto no equilíbrio de forças do próximo pleito.
Polícia Civil registra aumento de 27% no número de atendimento às vítimas de violência em Cuiabá 16 de Setembro de 2025 às 17:36
O aumento em 27% no número de atendimento prestado a mulheres vítimas de violência doméstica foi o principal dado estatístico registrado pela Polícia Civil, durante o lançamento do “Anuário de Violência Doméstica e Crimes Sexuais – 2024”. De 2.061 casos registrados em 2023, subiu para 6.223, no ano de 2024. O documento tem como base de dados o Relatório Estatístico e Análise dos Atendimentos na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) e do Plantão da Violência Doméstica e Crimes Sexuais – 24h (PLVD). Para a delegada titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), Judá Maali, esse aumento representa a melhoria do atendimento prestado pelos profissionais, que passaram por inúmeras capacitações. “O acolhimento pode representar o primeiro passo para o rompimento do ciclo da violência”, disse delegada Judá Marcondes. Conforme o Anuário, os meses de maio e outubro foram os que mais houve demanda. Segundo a delegada, essa procura representa a autoconsciência da vítima. “A gente acredita que, a partir do momento que a mulher se autoavalia, ela cria uma maior consciência sobre o que contexto que ela está inserida”, considerou a delegada, associando os indicativos com as datas em que são celebradas Dia das Mães (maio) e Outubro Rosa. Além disso, o levantamento indicou que a segunda-feira é o dia da semana em que há maior procura pelas unidades policiais voltadas à política de segurança à mulher. Perfil da vítima Conforme levantamento do Anuário, dos 6.223 casos registrados no ano de 2024, 62% das vítimas possuem nível de escolaridade médio e superior (3.858). Além disso, os dados retrataram que 55% das vítimas eram pretas/pardas (3.423), 55% tinham entre 30 a 49 anos (3.423), e 58% tinha como renda de uma a três salários mínimos (3.611). Perfil do Suspeito De acordo com o Anuário, dos 6.223 casos registrados no ano de 2024, 36% dos suspeitos possuem nível de escolaridade médio e superior (2.240). Além disso, os dados retrataram que 33% dos suspeitos eram pretas/pardas (2.054), 63% tinham entre 18 a 49 anos (3.919), e que têm profissões diversificadas. Lançamento A divulgação do Anuário ocorreu nesta terça-feira (16.9), na sede da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), em Cuiabá. O evento contou com a presença da Coordenadora de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher, Mariell Antonini, e do delegado do Plantão de Violência Doméstica de Cuiabá, Richard Damaceno. Fonte: SECOM
Câmara aprova PEC que amplia foro privilegiado e gera críticas de retrocesso democrático
Proposta permite que deputados e presidentes de partidos só sejam investigados com aval do Congresso e amplia blindagem para a esfera cível. Texto segue para o Senado. A Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que amplia o foro privilegiado de parlamentares e presidentes de partidos políticos. A medida, considerada por especialistas como um retrocesso democrático, cria novas blindagens jurídicas e muda a forma como parlamentares poderão ser investigados e processados. Como votaram os deputados de Mato Grosso Em Mato Grosso, a proposta recebeu apoio integral da bancada bolsonarista – Coronel Fernanda (PL), José Medeiros (PL), Nelson Barbudo (PL) e Rodrigo da Zaeli (PL). Também votaram favoravelmente Gisela Simona e Coronel Assis, ambos do União Brasil. Apenas os deputados do MDB, Emanuelzinho e Juarez Costa, votaram contra. Agora, o texto segue para apreciação no Senado Federal. O que muda com a PEC Foro ampliado para esfera cível: parlamentares só poderão ser processados mediante autorização do Congresso. Prisão em flagrante: em caso de qualquer crime, será o Legislativo – e não mais a Justiça – que decidirá se o parlamentar permanecerá preso. Blindagem inédita: presidentes de partidos também passam a ter foro privilegiado, algo que nunca havia sido previsto na legislação brasileira. Quem se beneficia Além de deputados e senadores, a proposta estende a proteção a presidentes nacionais de partidos, garantindo a eles a mesma blindagem jurídica dos parlamentares. Apoio político A PEC foi articulada principalmente pelo Centrão, bloco formado por partidos de direita e centro como PL, União Brasil, PP, MDB e PSDB. Especialistas apontam que a aprovação reduz a transparência e a responsabilização da classe política, ao transferir para o próprio Congresso a decisão sobre investigações e prisões de seus membros.